
O Espírita e as Festas de Final de Ano
Todos os anos aguardamos com muitas expectativas as festividades de final de ano.
Celebra-se o nascimento de Jesus, nosso amado Mestre e a data de 25 de dezembro tem um brilho diferente, uma luz especial, embora saibamos que Jesus não nasceu exatamente nesta data, mas bem antes. Isso, contudo, é apenas um detalhe, pois há uma certa magia no ar, um misto de amor, de caridade, de auxílio ao próximo, nem que seja um auxílio material.
As famílias se reúnem, parentes que não se veem muitas vezes durante todo o ano, se reencontram e há uma celebração muito grande. Trocam-se presentes, luzes piscam em todas as casas, árvores coloridas são montadas. As criancinhas acreditam que um velhinho de barbas brancas, roupa vermelha, montado num trenó puxados por renas voadoras traz seus presentes e os coloca embaixo das árvores coloridas.
Pequenos bonecos representando o nascimento do Mestre são montados, no que se chama de presépio, na intenção de mostrar a magia daquele momento na manjedoura.
Uma semana após o Natal, todos, ainda embalados pelas alegrias que ele proporcionou, celebram a chegada de um novo ano. As pessoas se vestem de branco, que simboliza a paz, pulam ondas na praia, comemoram o início de mais 365 dias na esperança que sejam de paz, abundância e alegrias.
Passadas as festas, alguns esticam os dias em férias, passeios em família, viagens. Findado esse período, gradativamente todos vão retomando suas tarefas, retornam ao trabalho, logo as crianças voltam à escola e a vida segue seu rumo.
Fica uma pergunta: as famílias se reuniram para celebrar o nascimento de Jesus. Quem já leu sobre a preparação que ocorreu no plano espiritual para esse nascimento na Terra, aprendeu que muito antes do Mestre abrir Seus olhas na matéria, o ambiente já estava preparado. Reinava uma paz jamais vista antes, as colheitas foram fartas e os animais estavam mais vistosos do que o normal. A alegria reinava nos corações e nesse ambiente de luz Jesus nasceu entre nós, mudando para sempre o rumo da humanidade.
Não deveriam ser, as comemorações do final do ano um resgate de tudo isso com vistas à evolução da Humanidade? Na minha opinião sim e, acredito que para uma parcela da população seja assim. Uma parcela bem pequena.
Na grande maioria, as pessoas estão ansiando pelos dias festivos do final para gastos materiais, alimentação em excesso, fomento ao vício da bebida que embala as festividades e outras coisas. Praticam a caridade material e muitos até fazem propaganda disso nas redes sócias que, muitas vezes, também trazem a intimidade das famílias para o domínio público.
Há uma matança muito grande de animais para abastecerem as mesas fartas e alimentarem a gula das pessoas. Animais são criados desde filhotes e alimentados durante todo o ano para serem então abatidos e enviadas às mesas. Quando olhamos para as aves. leitões e outros prontos e recheados em cima das mesas, não nos damos conta ou não queremos enxergar a dor que existiu antes deles estarem ali.
A sociedade de consumo na qual estamos inseridos cria necessidades artificiais que conduzem as pessoas a comprarem, consumirem, se embriagarem e no meio de tudo isso surgem desavenças, brigas e desentendimentos. Há até no caso do nosso país um incentivo a esse consumo com o recebimento do chamado 13º salário.
Não estou dizendo que todos sejam assim. A regra que impera hoje na sociedade conduz todos a esse consumismo, mas em todas as regras existem exceções.
Existem seres abnegados que não apenas nessa época, mas durante todo o ano praticam a caridade para com o próximo, tanto material, como emocional e espiritual. Para elas as festividades de final de ano representam sim uma oportunidade em família, mas também uma oportunidade de estender mais ainda o alcance da caridade que faz parte de suas vidas.
Deixo uma pergunta para cada um de nós: qual o real objetivo das festas de fim de ano em nossas vidas?
Correlacionar o nascimento de Jesus com o Natal pode ter tido um motivo nobre lá no passado quando isso ocorreu. Pelos dados históricos foi instituído por volta do ano 350 DC pelo Papa Júlio I. A data de 25 de dezembro foi escolhida para coincidir com a festividade romana do equinócio de inverno, a Saturnália, que celebrava o “nascimento do deus sol”. Como não se sabe a data exata do nascimento de Jesus, a Igreja Católica cristianizou as festas pagãs romanas, dando-lhes uma nova simbologia.
Façamos uma breve ponderação: celebrar o nascimento de Jesus visa resgatar toda energia positiva que envolveu sua vinda à Terra. Qual a relação que as festividades como hoje conhecemos, tem com o nascimento da Luz do Mundo?
Matança excessiva de animais, alimentação em excesso, consumo exagerado de alcoólicos, gastos com presentes, troca de carros e tudo mais que envolve essa época do ano não condiz muito com a mensagem que o nascimento de Jesus traz para nós.
Vale lembrar que Deus não condena as alegrias, os prazeres da matéria, as festas. A questão está justamente nos abusos que existem e no consumismo excessivo praticado pela humanidade, incentivados pelo orgulho, pelo egoísmo e pela vaidade humanas.
O olhar daquele que já adquiriu mínimos conhecimentos e um pouco de compreensão acerca dos ensinamentos de Jesus para as festividades do final é um pouco diferente ou, pelo menos deveria ser.
Quando abrimos o coração para Jesus, legiões de Espíritos do bem se aproximam no intuito de nos ajudar a evoluir. Mesmo recebendo tanto, abrindo uma brecha para o trio (orgulho, vaidade ou o egoísmo), legiões de Espíritos equivocados chegam até nós e diferentemente dos amigos do bem, esses Espíritos ensandecidos não respeitam nosso livre-arbítrio. Ao não usarmos as “vestes nupciais” (que representam a transformação interior), seremos lançados “às trevas exteriores, onde haverá choro e ranger dos destes” ou significa dizer que muito será cobrado a quem muito foi dado. A princípio essa expressão poderia supor um castigo. Não é, pois existe o livre-arbítrio que define os rumos que cada um dá à sua existência.
Para quem ainda não aceitou o convite de Jesus para O seguir, as festividades seguem o rumo do consumismo desenfreado, sem maiores responsabilidades para os mesmos, haja vista ainda não terem dentro de si os preceitos de Seus ensinamentos.
Como cada um de nós, Espíritas, que abraçamos essa maravilhosa Doutrina trazida do plano espiritual pelas mãos luminosas de Allan Kardec, comemoramos as festividades de final de ano? Como celebramos o nascimento Daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida? O quanto de fato, o Cristo está presente em nós, direcionando nossas decisões e norteando os rumos de nossa existência?
Em cada atitude voltada para o bem, em cada caridade espontânea para com o próximo, em cada gesto de amor de nossa parte, o Cristo renasce em nós. “Todas as vezes em que destes de comer a quem tinha fome, acolheste quem estava desamparado, destes de vestir a quem estava nu, é como se a mim o fizesse”, disse-nos Jesus!!!! Todo o bem que praticamos sem esperar nada em troca, retorna para nós com bálsamos revitalizantes para nossa jornada espiritual.
Reafirmo com convicção, a prática do bem e do auxílio ao próximo nessa época do ano é muito, muito grande. O que é necessário para que essa prática e auxílio perdurem durante todos os próximos 365 dias do ano que virá?
Essas reflexões são frutos de meus pensamentos norteados pelo aprendizado da Doutrina dos Espíritos. É minha opinião e desejo sinceramente que possamos refletir juntos sobre isso com vistas ao nosso aprimoramento espiritual.
Desejo a todos um ótimo Natal ao lado de sus familiares e um 2025 cheio de paz, harmonia e alegrias. Que a luz do Mestre esteja presente no coração de cada um de vocês e de seus familiares.
Gratidão!!!!
Sérgio R O Araújo é voluntário na ABC Espírita Batuira e no Grupo Espírita da Prece Chico Xavier em Sorocaba.
Excelente reflexão Sérgio! Que possamos aproveitar este momento e deixarmos Jesus renascer em nossos corações e atitudes.