
Somos sempre nós
Somos Espíritos em evolução, há séculos transitando por várias encarnações. Cada um é um universo de energias, de movimentos íntimos da mente, do sentimento, da personalidade – orgulho, vaidade, vitimismo…sustentados pela “não percepção” de nós mesmos, e consequentemente, não conseguimos perceber nosso entorno. Assim vamos justificando o quanto tudo que nos atrapalha ou nos impede de caminhar vem de fora.
Existe em nós um mecanismo, uma voz interior, uma resistência, que nos mantém na conhecida zona de conforto, que se passando por grande aliada, nos impede à ação evolutiva. Essa ação pode ser uma aula de música, de culinária, um curso superior, uma viagem ou um necessário diálogo com um familiar. Sim, essa voz amiga e racional muitas vezes nos impede de alcançar a felicidade.
Precisamos dialogar com um familiar, cônjuge ou filhos, a fim de fazer ajustes importantes, mas deixamos para depois, e vamos colocando outras ações na frente, criando impedimentos: agora preciso trabalhar, preciso trocar uma lâmpada, fazer o almoço, assistir a novela ou ao futebol e de repente ficou tarde e deixamos para outro dia. Queremos muito viajar ter novas experiências, mas o filho precisa de mim, acho melhor pintar a casa, minha irmã não pode viajar agora… e assim vamos vivendo a vida de outras pessoas menos a nossa, dando ouvidos a essa amorosa voz que tudo justifica para não sairmos do lugar.
Trazendo para a realidade da Casa Espírita, podemos observar alguns movimentos. O assistido que chega acreditando no poder do obsessor, sem se dar conta que somos nós que abrimos as portas pelos nossos pensamentos, sentimentos, crenças e ações. Geralmente chega desejando a paz que lhe foi roubada e atribui a um Espírito esse poder, quando é ele que carrega como fardo suas próprias atribulações, com dificuldade de entender que somos nós os maiores responsáveis por nossa desarmonia. Quando convidado ao caminho do equilíbrio tudo fica difícil, não tem tempo para se dedicar a oração, a leitura, aos estudos, dando espaço a essa voz que lhe convida, com fortes argumentos racionais a deixar tudo como está, e segue sem compreender a necessidade do esforço para enfrentar a resistência e alcançar a tão sonhada paz.
A maturidade emocional e espiritual nos assegura que nada conquistaremos enquanto não nos conhecermos, assumindo nossas responsabilidades sobre nossas escolhas e ações.
– Algo deu errado? Não procure culpados, avalie a si mesmo e busque novos caminhos. Isso faz parte do aprendizado.
– Alguém lhe ofendeu? Afaste-se e se pergunte-se de que forma pode ter contribuído, se o outro está bem ou se é da personalidade dele, afinal cada um dá o que tem.
Nossa evolução passa pelo despertar de nossa responsabilidade, esforço e disciplina com nossas ações. Somos responsáveis por nós! Somos sempre nós!
Aloise Gaio – Voluntária do Centro Espírita Batuíra
Excelente reflexão, o vitimismo hoje é um dos (ou o maior) desafio tanto para enfrentá-lo quanto para entendê-lo.
Excelente reflexão! Que tenhamos a humildade e a coragem de reconhecer e assumir as consequências de nossas próprias escolhas.