ESCOLHA A PAZ

ESCOLHA A PAZ

“Deixo a paz a vocês; a minha paz dou a vocês. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo”. (João 14:27)

Todos nós só queremos a paz. E, apesar de ser um dos valores espirituais mais preciosos que um ser humano pode conquistar, ela é um dos que mais exige de nós: escolha, ação no bem, perseverança, renúncia, resignação, aceitação e paciência. Isso porque confundimos paz com sossego, com tranquilidade, com ausência de perturbação, de ansiedade ou de medo.

Nos irritamos com o supérfluo, com o passageiro, com a rotina, o trânsito, o vizinho, a criança, os filhos, os pais… Às vezes, temos a impressão de que tudo ao nosso redor foi colocado propositadamente para tirar a nossa tão almejada paz… Mas será que ela foi tirada? Ou será que não temos como tirar algo que ainda não conquistamos?

Confundimos a paz do mundo com a paz do Cristo

No Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. V, Kardec nos traz uma mensagem que se encaixa perfeitamente: “Os tormentos voluntários”, de Fénelon (Lyon, 1860). E como essa mensagem é atual!

“Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados, visto que as suas preocupações não são aquelas que têm no céu as compensações merecidas. Que de tormentos, ao contrário, se poupa aquele que sabe contentar-se com o que tem, que nota sem inveja o que não possui, que não procura parecer mais do que é. Esse é sempre rico, porquanto, se olha para baixo de si, e não para cima, vê sempre criaturas que têm menos do que ele. É calmo, porque não cria para si necessidades quiméricas. E não será uma felicidade a calma, em meio às tempestades da vida? – Fénelon (Lyon, 1860)”. Como conquistar essa calma, mesmo em meio às tempestades da vida? O autoconhecimento e a reforma íntima são o caminho.

O primeiro passo é estarmos vigilantes e fazermos uma avaliação do que nos irrita, nos perturba, do que nos causa ciúmes, inveja, ira, raiva e outros sentimentos perturbadores. Dessa forma, podemos identificar os chamados tormentos voluntários — aqueles que causamos, muitas vezes, voluntariamente.

Precisamos buscar entender, em nosso interior, o motivo de tamanha perturbação. E, enquanto não conseguimos conviver de forma equilibrada com essas realidades, é importante que nos afastemos desses tormentos voluntários — de tudo aquilo que sabemos que nos desequilibra e desperta em nós sentimentos contrários à caridade, ao amor e à tolerância. Especialmente aqueles ligados às redes sociais, ao ciúme, à violência e ao ódio, seja através das telas, pessoalmente ou por meio dos noticiários.

É fundamental evitarmos discussões vazias, onde há, na verdade, guerras de egos e vaidades entre as pessoas. Essas discussões só nos trazem tristezas e vibrações deletérias, e nada de proveitoso pode ser extraído desses diálogos.

Nesse processo de autoconhecimento, precisamos entender de fato o que seria paz para nós. Seria a redução dos compromissos profissionais? A saúde restabelecida? As crianças crescidas? Ou até mesmo a dispensa de qualquer rotina ou cumprimento de horário? Precisamos descobrir o que é a paz para nós. Assim, identificaremos se a paz que almejamos é a paz do mundo ou a paz do Cristo.

Mas o que seria a paz do Cristo?

Jesus disse: “Eu não vim trazer paz, mas espada” (Mateus 10:34), pois foi exatamente essa falsa paz — a paz do mundo — que Ele veio desconstruir.

Precisamos, enfim, entender que a paz é uma escolha: uma escolha pelo bem, pela calma, pela aceitação, resignação, perseverança, por saber ouvir, saber esperar e agir com sabedoria. É saber que Deus está presente em nossas vidas e agirá no tempo e na hora mais perfeitos para o nosso aprendizado. Essa fé, essa confiança nos dá paz.

Se queremos desenvolver um comportamento de verdadeira paz, devemos nos esforçar interiormente por meio de escolhas saudáveis, de hábitos pacíficos e salutares, que nos acalmem, nos tranquilizem, aumentem nossa fé no Criador e em Seus desígnios.

Que possamos escolher atitudes de alegria, coragem, bom ânimo e fé. Que possamos cumprir com nossos deveres de forma diligente e alegre pela oportunidade de servir e aprender. Que possamos nos afastar daquilo que nos machuca, que nos desequilibra e para o qual ainda não temos o preparo, o equilíbrio, a inteligência emocional para lidar.

A paz transforma nosso semblante — mas de forma verdadeira, sem máscaras. Transforma o ambiente em que estamos, transforma nossas palavras e atitudes. Mas é preciso fazer a escolha sincera de querer essa paz, de querer a alegria, de querer se afastar da violência, da falsidade, da ilusão e da mentira.

A paz é uma escolha. A alegria é uma escolha. A coragem é uma escolha. Apesar da vaidade ou do orgulho ferido, escolheremos ter paz. Apesar da tristeza que sentimos, escolheremos ser alegres e nos esforçaremos para viver momentos de alegria no dia a dia e seguir em frente. Apesar dos impulsos de violência e agressividade que ainda habitam em nós, escolheremos ser pacíficos em todos os momentos. Com essas escolhas, lutamos o bom combate. E o autoconhecimento e a reforma íntima são as armas adequadas, os caminhos seguros para desenvolvermos e aprofundarmos essas escolhas.

Que não desanimemos nesta jornada, pois mudar um hábito exige persistência. A paz deve — e pode — ser cultivada com serenidade, por meio de ações de amor e de misericórdia, que, aos poucos, diluem as sombras da ignorância e da perversidade que ainda existem em nós.

Priscila A. Batista – voluntária do Centro Espírita Casa dos Essênios

Referências:

  • Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec
  • Vidas vazias, pelo espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Franco, Ed. Leal;
  • FRANCO, Divaldo. Desperte e Seja Feliz. 6. ed. Salvador;
  • Quem é o Cristo? pelo espírito Francisco de Paula Vitor. psicografia de Raul Teixeira;
ESCOLHA A PAZ
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Uma ideia sobre “ESCOLHA A PAZ

  • 22 de junho de 2025 em 12:12
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    Excelente reflexão Priscila! Muita Paz em nossas vidas! Conquistada pelo trabalho incansável de de todos os momentos!! Obrigada!! Karis 🌹😘

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