Bora Servir!
“Se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.” João 13:1–15
No maior mandamento, os Espíritos nos ensinam que todos os deveres do homem se resumem na máxima: “Fora da caridade não há salvação” (1). Apesar de compreendermos intelectualmente cada palavra, ainda temos muita dificuldade em compreender a verdadeira importância e profundidade da Caridade.
A Caridade não se resume a uma ação; está mais voltada para uma atitude, para a expressão de uma virtude que faz parte do nosso coração. Vejo-a como uma doação de nossa amorosidade, brandura, doçura e amabilidade, aquilo que o dinheiro não compra, pois só é Caridade quando nasce do coração, e é assim que ela é sentida. É viver de acordo com as leis divinas, despertando um sentimento de harmonia, de paz e de dever cumprido. Sentirmos leveza e bem-estar.
Essa atitude — se assim podemos chamá-la — está ao alcance de todos: do ignorante e do sábio, do rico e do pobre, do sadio e do enfermo, do poderoso e do mais humilde dos trabalhadores. Independe de qualquer crença ou rótulo; manifesta-se no conjunto de ações, reações e expressões do coração de quem se dispõe a fazer algo em benefício do próximo de forma desinteressada, amorosa, verdadeira e sincera.
O Mestre, quando esteve encarnado neste mundo, praticou a Caridade e nos ensinou, em diversos momentos, que servir também é uma de suas formas de expressão, especialmente quando lavou os pés dos discípulos.
Jesus se abaixa para lavar os pés de seus seguidores mais próximos. Entretanto, não se humilha no sentido de se diminuir; ao contrário, engrandece-se moralmente ao assumir o lugar do servidor, demonstrando que a grandeza espiritual não se afirma pela posição ocupada, mas pelo serviço prestado. O Espírito superior não se coloca acima dos outros; inclina-se para levantar quem está ao seu lado.
A ação de servir, como forma de expressão da Caridade, deve vir de dentro do nosso coração, sem busca por projeção ou honrarias, sem desejo de destaque e sem soberba. Servir com Caridade eleva aquele que é servido e nos coloca em posição de igualdade, como irmãos que se ajudam, olho no olho e sorriso no rosto, de coração leve, compreendendo que, se hoje estou ajudando você, amanhã poderá ser você quem me ajudará.
E essa prática não requer grandes esforços nem muito tempo. Ela pode acontecer em qualquer lugar, literalmente! Podemos servir com Caridade em nossas tarefas diárias, no trabalho, no trânsito, na administração dos deveres cotidianos e das rotinas, contribuindo para a construção de um mundo melhor, tanto nas atividades materiais quanto nas espirituais.
Servimos com Caridade quando, por exemplo, cuidamos de um idoso com carinho e atenção, ajudamos alguém em situação de necessidade, demonstramos gentileza no dia a dia, ensinamos e compartilhamos conhecimentos, ou oferecemos apoio, escuta e acolhimento. E isso ocorre em muitas outras situações nas quais a vida nos convida a agir, servindo com amor.
Todas as vezes que fazemos o melhor que podemos, na situação em que nos encontramos, com boa vontade e bom ânimo, buscando soluções e discutindo ideias sem condenar pessoas, estamos servindo como forma de expressão da Caridade.
Quanto mais praticamos o servir como expressão da Caridade, mais estaremos em sintonia com as leis divinas e, consequentemente, sentiremos nosso coração mais alegre e feliz.
Podemos considerar, finalmente, que o trabalho de transformação espiritual só é viável com o exercício da Caridade. E, para atingirmos metas mais elevadas de ascensão espiritual, devemos conviver com todas as criaturas em igualdade, tolerância e solidariedade.
Hoje é um bom dia para fazer o bem! Servir é se colocar ao lado do outro com o coração leve e a alma em paz. Ser luz na vida de alguém é o maior presente que podemos dar. Lave os pés. Bora servir! Ame. Transforme.
1 – Capítulo 15 do Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec.
Priscila A. Batista é voluntária da Casa dos Essênios
