ENVELHECER NÃO É ESTAR PRÓXIMO DO FIM!

ENVELHECER NÃO É ESTAR PRÓXIMO DO FIM!

A vida, para desenvolver-se, exige energia. O envelhecimento, resultado do desgaste energético, é fenômeno natural. Irreversível, a idade conquista espaço no organismo humano, combalindo­lhe as forças e conduzindo­o à desencarnação. Apesar da importância de serem preservados a juventude interior, o entusiasmo pela vida, as ocasiões de prosseguir servindo e iluminando­se, isto não descarta o fenômeno de velhice.

O envelhecimento é um fenômeno natural, inerente à finitude biológica do organismo humano, mas é um processo diferencial em cada um de nós. Sabemos que envelhecer é um processo que, de fato, começa quando somos gerados e move-se inexoravelmente através de toda vida. Depois dos 50 anos de idade, o processo é acelerado. Entendemos o que é ser idoso quando chegamos a terceira idade, ou a melhor idade.

O aumento da expectativa de vida e do contingente de idosos é um fenômeno mundial. Não há dúvida quanto ao crescimento da população idosa em todo mundo. Em termos percentuais, hoje o número de idosos é cerca de 12% a 13%. A população mundial tem 60 anos ou mais, totalizando mais de 1,1 bilhão de pessoas.

No Brasil, os idosos com 60 anos ou mais representam 16,6% da população total, conforme dados da PNAD contínua, divulgados pelo IBGE. O envelhecimento rápido do país ocorre devido à menor taxa de natalidade e ao aumento da expectativa de vida.

O aumento da longevidade tem como principais causas os avanços tecnológicos, como vacina, remédios e equipamentos. Também está havendo uma melhor qualidade de vida.

Para a doutrina espírita, o ciclo da vida se altera consideravelmente: nascer, crescer, amadurecer, envelhecer, morrer e renascer. A morte é apenas um momento no infinito de nossas existências.  No túmulo de Allan Kardec, localizado no cemitério père-lachaise, em Paris está gravada a célebre frase: “nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei” (em francês: “naître, mourir, renaître encore et progresser sans cesse, telle est la loi”), que resume os princípios da reencarnação e da evolução espiritual na doutrina espírita.

Para o espiritismo, a velhice não é o fim da vida ou uma fase de inútil declínio, mas sim uma etapa natural e sagrada de transição e colheita. O corpo físico envelhece e se desgasta, mas o espírito permanece imortal, jovem e em contínuo progresso.

“O medo da velhice é muito cruel, tornando-se um verdadeiro tormento para quantos não consideram a existência física na condição de uma jornada de breve duração, por mais longa se apresente, passando por estágios bem delineados desde o berço até o túmulo.” – Joanna de Ângelis.

O único recurso de não se chegar à velhice é desencarnar logo.  Creio que essa opção não faz parte do desejo de nenhum de nós. Então, o jeito é envelhecer. Isso, quando possível, evidentemente.

Recorramos aos ensinamentos de dois espíritos de escol: Chico Xavier e doutor Bezerra de Menezes. O primeiro pergunta: o senhor, dr. Bezerra, que conhece bem o campo orgânico, poderia me dizer. Reconheço que a minha fase é de uma pessoa que é considerada idosa. Já sei disso, mas devo dizer que intimamente o meu otimismo, a minha alegria com a vida são os mesmos. Eu queria que minhas pernas fossem revitalizadas.

O segundo – doutor Bezerra – responde: Chico, as pernas são a periferia da cidade corpórea. Você está dando muita importância à periferia e se esquecendo do centro urbano, que é o serviço. (livro lições de sabedoria, editora FE, página 18, 1996.)

A sociedade de consumo por nós representada, espíritos reencarnados, vem fazendo com desespero buscar todos os meios para parecer sempre jovem. Cuidando da periferia e esquecendo do centro urbano como respondeu dr. Bezerra, sabiamente, a Chico Xavier.

O centro urbano através do serviço em favor do próximo pode nos proporcionar a ação estética do bem que realizamos em favor do próximo. Conferindo–nos a moratória que obtemos perante as leis sábias da vida.

Conforme nos ensina Joanna de Ângelis, a velhice se apresenta quando o indivíduo se considera inútil, quando experimenta o desprestígio da sociedade preconceituosa, que elaborou conceitos de vida em padrões torpemente materialistas, hedonistas.

“A velhice é a quadra abençoada da existência planetária, que nem todos têm oportunidade de alcançar. Repositório de experiências, é campo de sabedoria a serviço da vida. Respirando e agindo, estás envelhecendo. Pensa nisso.  Vive desse modo, programando a tua terceira idade, jovialmente, a fim de não seres colhido pela amargura e o dissabor, quando as forças se te apresentarem diminuídas, portanto, em decadência.  O pior da velhice é a forma refratária com que muitos a consideram, ingratamente.”  (do livro “Episódios diários” pelo espírito Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo Franco.)

Chico Xavier não se entregou a esse conceito e serviu, mesmo quando carregado por braços amigos, a todos os necessitados que por ele buscaram até o final de seus abençoados dias aqui na Terra.

Quando analisamos a vida sob o panorama espírita e passamos a compreender que somos espíritos imortais, transitoriamente no corpo físico, acumulando experiências que visam o nosso progresso intelecto-moral, e que, diante da lei abençoada da reencarnação, retornaremos, após a morte, em tempo oportuno, a habitar novos corpos, dando prosseguimento à nossa evolução, sem jamais perder as virtudes e o conhecimento adquiridos, passamos a ter uma perspectiva diferente e elevada quando nos tornamos idosos.

 O idoso poderá alegar cansaço e falta de vigor físico para algumas tarefas materiais, mas jamais para sua missão de iluminação espiritual, porque, sempre será tempo de desenvolver ou fortalecer virtudes, educar os sentimentos, libertar-se de um defeito, orar pelo próximo, ler um bom livro, escutar uma palestra educativa, fazer o bem etc.

O espiritismo convida o idoso a refletir sobre a transitoriedade da matéria e a perenidade do espírito, de tal sorte que é natural o desgaste do corpo físico, devendo o tempo de vida física ser aproveitado para atender os compromissos materiais e sobretudo os espirituais, morais, sabendo, ainda, que haverá, oportunamente, o reencontro, na pátria espiritual, com os entes queridos que já partiram.

Quem na velhice descobre o mistério da vida, a grandeza dos relacionamentos, o júbilo do aprendizado, torna-se belo, com diferente irradiação de felicidade, que o torna um verdadeiro sábio, um ser feliz. Divaldo franco

Antes, porém, cabe a nós espíritas, idosos ou não, refletirmos sobre o dever da caridade social para com os idosos que   fundamenta-se na justiça, amor e caridade (uma das leis morais do espiritismo)  segundo Allan Kardec em “O livro dos espíritos” (questão 886), a caridade verdadeira consiste na benevolência para com todos, na indulgência pelas imperfeições alheias e no perdão das ofensas. Quando aplicada à sociedade, essa lei exige a proteção dos mais vulneráveis.

É necessário aprender o valor do envelhecimento, o seu profundo significado, o prolongamento dos seus dias físicos na terra e nos entregarmos às leis da natureza, aliás, não somente os idosos, mas também os jovens e adultos.com a visão espiritual da vida, bem envelhecer é viver por antecipação no paraíso. Divaldo franco.

Assim sendo, com o aumento da população de idosos no mundo e com a melhora progressiva da qualidade de vida, vem o espiritismo, na condição de cristianismo redivivo, conclamar ao idoso que sempre seja grato pela vida, jovial, alegre, e que possa ser um cristão dedicado, ativo no bem, em todos os momentos e situações, porque, como disse Jesus a Simão, o zelote, ser moço ou velho, no mundo, não interessa … antes de tudo, é preciso ser de Deus!

Autora: Fátima Kopke, voluntária da ABC Espírita Batuíra

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Uma ideia sobre “ENVELHECER NÃO É ESTAR PRÓXIMO DO FIM!”

  • 15 de setembro de 2026 em 09:10
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    Parabéns, Fátima!
    Lindo texto,trazendo informações que ampliam e ajustam o nosso olhar sobre esta etapa da vida.
    Obrigado.

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