Todo fim é também um novo começo
Inicia-se o novo ano e, automaticamente, um novo ciclo se desenvolve em nosso calendário. Somos convidados a fazer o clássico balanço do ano que terminou. Temos como hábito olhar em primeiro lugar os ganhos e perdas materiais, as conquistas na carreira, na família, viagens, status dos projetos em andamento, novos planos e compromissos financeiros se desdobram à frente.
Colocamos nossos olhos nos hábitos relacionados à saúde física e mental, na eliminação de vícios, nas metas relacionadas a dietas e exercícios. E também nos objetivos amorosos, festas, relacionamentos, viagens, estudos, enfim, tudo aquilo que prospectamos para o novo ciclo que se inicia.
Porém costumamos deixar de fora os objetivos da nossa alma. Ainda nos esquecemos de olhar para o nosso interior e analisar a nossa reforma íntima, nossos projetos de aquisição de “tesouros do céu”, aqueles que realmente levaremos quando partirmos deste mundo material.
É recomendável – e faço disso um convite – que façamos uma lista de ano novo, mas uma lista especial e que nela possamos incluir também os nossos objetivos espirituais para este novo ciclo – algo como: “buscar alegria nas pequenas coisas”, ou ainda “ouvir mais e falar menos”, o clássico “ser mais paciente” e quem sabe até “perdoar” aquela pessoa… Vamos montar esta lista sem a ilusão de adquirir integralmente a virtude ensinada por Jesus pois para isso levaremos vidas, mas com a certeza do esforço interior em buscar, como nos convida a Doutrina Espírita, para que possamos deixar esta jornada um dia melhores do que quando chegamos.
Para elaborar bem esta lista, colocando pelo menos os três principais objetivos espirituais a serem trabalhados neste ano, é importante o uso de uma ferramenta bem antiga: o autoconhecimento.
Que neste novo ciclo, nos permitamos parar e ouvir as angústias do nosso coração, o que tememos, o que nos irrita, nos preocupa, o que nos causa ciúmes, inveja, ira, raiva e outros sentimentos perturbadores. Nesta avaliação é comum percebermos que temos uma desmedida preocupação com o destino dos outros. Muitas vezes tentamos forçar as coisas para que aconteçam. Temos medo de que um cenário abstrato se transforme em concreto, e vivemos uma possibilidade imaginária de forma antecipada, o que turba ainda mais nosso coração.
Nestes casos podemos colocar na lista o exercício da fé, da esperança, do respeito e aceitação pois é muito importante nos conscientizarmos de que as almas estão vivenciando o útil e necessário para o desenvolvimento de suas potencialidades naturais e divinas. Que possamos incluir também: “fazer a minha parte com amor, carinho e respeito,” afinal podemos orientar o próximo, podemos amar, apoiar, aceitar mas jamais achar que sabemos melhor como as coisas devem ser e como as criaturas devem se comportar.
O “não julgar” também pode ser inserido pois precisamos aprender a confiar na Paternidade Universal que rege a todos, visto que a preocupação, é, de forma resumida, a desconfiança nas leis da vida. Não nos compete determinar ou dirigir as decisões alheias. Por que condenar os atos e atitudes de alguém que o próprio Criador do Universo deixou livre para decidir?
“Ser um pacificador” quando o mundo nos convida à revolta, à guerra e à discussão pode ser também um dos projetos deste novo ciclo, afinal a paz é uma escolha: uma escolha pelo bem, pela calma, pela aceitação, resignação, perseverança, por saber ouvir, saber esperar e agir com sabedoria.
Se recorde que sempre é possível incluir ações como “ter alegria, coragem, bom ânimo e fé no dia-a-dia”. Cumprir com nossos deveres de forma diligente e alegre pela oportunidade de servir e aprender. Que possamos nos afastar daquilo que nos machuca, que nos desequilibra e para o qual ainda não temos o preparo, o equilíbrio, a inteligência emocional para lidar.
E como último tópico mas não menos importante vem a gratidão, “ser grato” pelo dia, pelo ar, pela vida, pelo sol, pela saúde, pelo alimento que nutre, pelo sorriso que vimos nos nossos filhos, pelo abraço que demos nos nossos pais, pela oportunidade de conviver com pessoas incríveis que nos ensinam que vale a pena viver e sorrir… Como nos ensina Paulo de Tarso, em tudo devemos dar graças pois nada nesta vida é por acaso; em tudo se encontra ao menos um aprendizado.
Que este ciclo venha repleto de reforma íntima para todos nós, que possamos sair de 2026 melhor do que quando chegamos, que estejamos firmes e perseverantes, alegres e motivados pois mudar um hábito exige persistência.
Autora: Priscila A. Batista – Centro Espírita Casa dos Essênios
