Quando você acredita

Quando você acredita

Recentemente ouvi novamente uma música com as cantoras norte americanas Mariah Carey e Whitney Houston, tema do desenho O Príncipe do Egito, que conta a história de Moisés.

A letra me chamou muito a atenção pela profundidade das frases e o convite à prática da fé, à confiança em Deus e em si mesmo.

Basicamente a letra da canção diz que quando acreditamos, os milagres acontecem. Será assim tão simples?

Ao mesmo tempo que mostra essa singeleza, alerta que a fé é frágil. Nós pedimos, mas ás vezes demanda um tempo para vir. O medo se instaura, a falta de fé aumenta e ficamos a questionar se realmente “alguém ou algo ouve nossas preces”.

Fazendo uma analogia com a vida de Jesus, a falta de fé também O deixava até um pouco triste: “Homens de pouca fé, até quando estarei com vocês?”, dito por Ele aos apóstolos quando não conseguiam aliviar um doente, “expulsar um demônio” ou acalmar uma tempestade.

Sempre que alguém “era curado”, Jesus dizia: “Tua fé te curou, vá e não peques mais.” Constantemente o Mestre alertava para esse sentimento tão importante contido numa palavrinha de apenas 2 letras: A FÉ.

Certa vez no meio da multidão, Jesus sentiu que Dele havia “saído poder”.  Um mulher desesperada com uma hemorragia intensa, após 12 anos de sofrimento e gastos com médicos, sem sucesso,  tocou a orla do manto de Jesus, crendo que apenas isso a curaria. Instantaneamente ela foi curada, mostrando a força de sua fé. Jesus elogiou a fé dela, dizendo: “Filha, a tua fé te curou“, Mateus 9:20-22

A cura do filho do centurião é outra passagem acerca da fé. Jesus cura à distância o filho de um Centurião que estava à morte, sem precisar ir até ele, demonstrando sua autoridade sobre o tempo e a doença através da fé do pai, que é elogiada por Jesus, e resultando na recuperação instantânea do menino ao mesmo tempo em que Jesus disse “O teu filho vive“, segundo narrado em João 4:46-54, 

Podemos relatar vários outros casos. O que importa aqui é o poder fé. A música citada diz que quando acreditarmos os milagres acontecerão. Esses relatos são provas do que diz a letra dessa música.

Qual será então o tamanho dessa fé, o quanto precisamos ter fé e acreditar?

Novamente o Mestre nos diz: “Se tiveres fé do tamanho de um grão de mostarda, dirá a essa montanha, mova-se daqui para lá e ela se moverá.” Do tamanho de um grão de mostarda. Apenas um tiquinho de fé.

Por que então tanta descrença ainda no mundo, tanta desconfiança, tanto medo? O que é preciso para acendermos essa fé inabalável em nós? Uma doença, uma perda?

Onde foi que perdemos nossa fé? Nos deixamos influenciar tanto pelos dissabores da vida, nos chicoteamos constantemente pelos erros cometidos e deixamos as pessoas pisarem em nós, nos achando a pior das criaturas.

Somos filhos de Deus, co-criadores da nossa realidade. O que estamos criando para nós? O quanto de fé colocamos em nossas vidas, em nossos afazeres?

Há quantas encarnações estamos lutando conosco mesmo nessa busca incessante pela aceitação e julgamentos de outros, sem cuidarmos de quem somos de fato?

O Centurião era Romano e tinha uma fé que os Judeus não tinham. A mulher com hemorragia acreditava que bastava tocar em Jesus. O quanto nós acreditamos nisso? O quanto temos de fé em nós mesmos e em Jesus?

Passagens da música citada: “Nós movíamos montanhas, mesmo antes de saber que podíamos. Pode haver milagres quando você acredita. A fé pode estar frágil, mas é difícil matá-la. Quem sabe quais milagres você pode alcançar? Quando você acredita, de alguma forma irá alcançar.

Em algum momento de nossa existência nessa ou em outra reencarnação demos prova da nossa fé. Contudo ela é frágil. Uma pitada de dúvida, insegurança é suficiente para abalar qualquer convicção. O sentimento da fé, contudo, permanece lá, faz parte de nossa essência. E enquanto ele não estiver presente a todo instante em nós, ficaremos num círculo vicioso de reencarnações.

Não tem a ver com sermos bons ou não muito bons, mas com o sentimento em si. Se acreditarmos, os milagres acontecem. Ser bom é um compromisso pessoal, contudo vemos pessoas que não são boas (pelo menos na nossa visão limitada, pois não sabemos os pormenores que envolvem a vida dessa pessoa), acreditando e os milagres acontecendo. E assim questionamos: por que comigo os milagres não acontecem?

De novo, a passagem da música: “quando você acreditar os milagres irão ocorrer.” Simples assim.

Lembrando uma frase de Chico Xavier: “O Cristo não pediu muita coisa. Não exigiu que escalássemos o Everest ou fizéssemos grandes sacrifícios. Ele apenas pediu para nos amarmos uns aos outros”.

O amor está na base de tudo junto com a fé e a confiança do tamanho de um grão de mostarda. Kardec completou essa receita na pergunta 909 de O Livro dos Espíritos:

“Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?”

“Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! quão poucos dentre vós fazem esforços!”  

Amar, ter fé do tamanho de um grão de mostarda e perseverar um pouquinho.

A busca pelo nosso melhor contudo, é um processo gradual. Paulo de Tarso se modificou em apenas 1 existência. De Saulo de Tarso perseguidor dos cristãos, prendeu vários e ordenou a morte de Estevão. Após o encontro com Jesus mudou tanto, que até alterou o nome para Paulo de Tarso. Foram anos entre o encontro com Jesus e o início do apostolado, mesmo assim sob repulsa inicial dos seguidores do Cristo, que não acreditavam na sua “redenção”. Mas ele teve fé, confiança, perseverou e aprendeu a amar.

A pergunta fica para nós. O que nos impede meus amigos?

Podemos não saber ainda como fazer. Em o Livro dos Espíritos Santo Agostinho também nos ensina como fazer. Nas questões 919 e 919 a, ele sugere um método rigoroso de autoanálise ou “conhecimento de si mesmo” para o aprimoramento moral:

  • A Prática Diária: Ele aconselha que, ao final de cada dia, o indivíduo faça um exame de consciência, como se estivesse revendo o próprio dia, para julgar suas ações, palavras e pensamentos.
  • Perguntas-Chave: O exercício envolve responder a perguntas categóricas, como:
  • Fui justo nas minhas palavras e ações?
  • Cumpri todos os meus deveres?
  • Disse algo que feriu alguém?
  • Fiz a outrem o que não gostaria que me fizessem?
  • Objetivo: Essa auto interrogação, feita de forma honesta, força o indivíduo a perscrutar a natureza e o móvel de seus atos, revelando as faltas que, muitas vezes, passam despercebidas. Pela soma das respostas, a pessoa pode computar a quantidade de bem ou de mal que ainda existe em si, identificando o quanto ainda está submetida às influências da matéria (egoísmo, orgulho) e que mudanças são necessárias. 

Aplicando esse método, a pessoa aprende a se amar e se auto conhecer, aprende a amar o próximo e vai adquirindo confiança em si mesmo e em Deus.

Está aí a metodologia para iniciar esse processo. É o convite que Jesus nos fez e faz sempre, antes de reencarnarmos aqui. E quando nós acreditamos nisso, os milagres acontecem.

Que Deus abençoe a todos e que possamos ser pessoas melhores, para que 2026 seja um ano excelente.

Bibliografia: O Livro dos Espíritos

Música: “When you believe”:     https://www.youtube.com/watch?v=mtOrDRsxL6Y&list=RDmtOrDRsxL6Y&start_radio=1

Sérgio R O Araujo é colaborador na ABC Espírita Batuíra.

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